Páginas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Incompetência assumida

A briga ocorrida no setor da Geral no sábado da inauguração da Arena do Grêmio só confirma duas coisas: a incompetência da Brigada Militar e da Justiça ao punir os brigões e que essa história de vigilância com câmeras para impedir a entrada dos marginais é história pra boi dormir.

Não é assim? Então como explicar a declaração do próprio comandante do 1º Batalhão de Operações Especiais da BM, publicada na coluna de Hiltor Mombach na edição desta segunda (dia 10) no Correio do Povo?

Reprodução Correio do Povo

Se são "antigos clientes", já identificados pela Brigada e - espera-se - pelo Grêmio através das tais câmeras presentes antes no Olímpico e agora na Arena, o certo seria que ficassem bem longe dos estádios em dias de jogos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Hora de Luxemburgo crescer em decisões

Descontemos toda a emocionante festa antes do jogo, o choro e as homenagens que se seguiram após o apito final de Héber Roberto Lopes. O que fica da despedida do Estádio Olímpico Monumental é a frustração de ver o Grêmio, mais uma vez, não superar uma equipe inferior – sem qualquer corneta, as atuações anteriores e a posição na tabela confirmam isso. E dessa vez com o adversário tendo dois jogadores a menos. Novamente o time bateu na trave na hora de alcançar um dos objetivos traçados. Escaparam a vice-liderança do Brasileirão e a vaga direta à fase de grupos da próxima Libertadores.

O Grêmio de 2012, com o até então inimaginável comando de Vanderlei Luxemburgo, foi assim. Quando mais precisou vencer, quando sentiu mais intensamente o cheiro do sucesso, falhou. E o mais impressionante: não foi determinante para as frustrações deste ano o peso da camisa adversária. O time escorregou contra pequenos, médios e grandes, inclusive quando do outro lado estavam esquadras que hoje figuram entre as rebaixadas do Brasileirão. Vejamos o retrospecto do Grêmio de Luxemburgo nos jogos mais importantes do ano:

Fotos: Ag. Estado / Luis Acosta (AFP)
Contra Palmeiras e Millonários, nem a pressão do velho Olímpico
fez com que o Grêmio de Luxemburgo confirmasse o favoritismo.

1) No Gauchão, perdeu nos pênaltis para o Caxias (time de Série C do Brasileirão) na semifinal do primeiro turno e viu o Inter levantar a taça do segundo em pleno Olímpico;

2) Na Copa do Brasil foi eliminado pelo Palmeiras de Felipão, perdendo a primeira partida em casa por 2 a 0 nos minutos finais. O mesmo Palmeiras que seria campeão do torneio (com as calças na mão) e terminaria o Brasileirão rebaixado;

3) Pela Sul-Americana, o mesmo filme. Enfrentou o mediano Millonários e caiu nas quartas-de-final tomando 3 a 1 na Colômbia, de virada, após ter vencido no Olímpico por placar mínimo, chorado;

4) E agora, na última rodada do Brasileirão, despedida do Olímpico, não conseguiu marcar gols contra um Internacional com nove jogadores em campo desde os 13 minutos do segundo tempo. Não era mata-mata, mas valia vaga direta na Libertadores. Logo, tendo toda a atmosfera de decisão, nova falha.

O que isso significa? Que o Grêmio que deixa o Olímpico não deve pôr abaixo somente o concreto do seu velho estádio. Precisa soterrar junto o medo dos grandes jogos, comum nestes últimos anos do clube e amplificado com Luxemburgo na casamata. Sempre que se vê diante de decisões, o treinador opta por um time recuado, diferente do que encarrilha vitórias nas partidas comuns.

Se Luxemburgo não rever essa falha que se repetiu durante grande parte da sua carreira e que em 2012 tirou do Grêmio a possibilidade de títulos, a Arena recém construída será palco novos confrontos em que o time jogará como nunca e perderá como sempre.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A revolta bunda-mole

FOTO: Piervi Fonseca/Folhapress

Fluminense campeão, Palmeiras rebaixado (não adianta dizer que ainda tem chance, já caiu e pronto!). Praticamente acabou o campeonato. E com ele acabou também a indignação de todos aqueles que há algumas rodadas não tinham mais voz de tanto xingar os juízes, a CBF, a Globo, o Papa, a mãe do Badanha.

Todo mundo era parte da conspiração para ajudar o Fluminense a levar a taça. Cada pênalti a favor marcado, cada gol do adversário anulado, cada lateral revertido, tudo era um sinal. E assim foram se criando os revoltados do Brasileirão.

- Absurdo! Vergonha! Só assim para ganhar mesmo!

Cadê essa turma agora? Não falo dos torcedores fanáticos, porque destes não se espera muita racionalidade mesmo. Mas e os comentaristas? E os cartolas dos times adversários do tricolor carioca? O gato comeu a língua deles?

Não, parece que não comeu. Porque agora a revolta ficou mansa.

- Parabéns ao Fluminense. - Nossa, foi merecido. Jogaram muito! - Que jogador é o Fred! E o Abelão?! Sabe muito...

Esse é o tipo de indignação típica do brasileiro. É aquele protesto que não dá fruto. Primeiro abre a boca, esbraveja, aponta o dedo para Deus e o Diabo. Depois acostuma, engole o sapo e a vida segue. É a revolta dos bundas-mole.

Fosse pela superioridade sobre os demais, o título do Fluminense não teria muito mérito. Não dá pra negar que ganhou muitos pontos graças aos homens do apito, pagos para estragar o futebol no Brasil. O mérito do clube das Laranjeiras é a incompetência de Grêmio e Atlético-MG, que tremeram em todas as oportunidades que tiveram de encostar e passar o time do Abel.

Quer saber? Não vou babar ovo para o título do Fluminense. Não mereceram. Mas melhor eles que o Ronaldinho Gaúcho. O Atlético mereceria a taça, desde que sem o R49.

Abaixo, pelo menos cinco erros graves a favor do campeão.
Somados, somente este erros renderam 10 pontos ao Flu.
Exatamente o que o separa do atual segundo colocado.
Mas o segundo e o terceiro também não se ajudaram...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Farrapo vivo, parece morto; Xavante morto, parece vivo

Se o espaço destinado ao futebol em rádios, TVs, jornais e sites de Pelotas pudesse ser representado por um gráfico pizza, restaria ao Farroupilha no máximo a borda. E sem recheio!

Enquanto o tricolor do Fragata faz boa campanha na divisão de acesso do Gauchão, com grandes chances de chegar ao quadrangular final, o foco dos comentaristas locais está no Brasil. Seja pela peleia nos tribunais para disputar a Série C do Brasileirão, seja pela busca por uma vaga neste mesmo quadrangular que o Farrapo costeia.

Sei que muita gente pensa assim, mas não consigo concordar com o critério de que a maior atenção deve ser dada a quem possui maior torcida. Merece relevância aquele (ou aquilo) que faz por onde, que apresenta motivos para que se dê destaque.

Porém, em Pelotas é diferente. Enquanto o Brasil agoniza uma campanha ridícula na segunda divisão do Campeonato gaúcho diante daquilo que se esperava do time de maior torcida da cidade, maior apoio financeiro e de mídia espontânea, o Farroupilha caminha bem, com altos e baixos mas sempre colado nos primeiros da tabela em seu grupo. (Do Pelotas, nem falemos. Está hibernando depois de enrolar sua torcida e abrir mão de disputar uma competição nacional em 2012!)

No entanto, a "opinião" (ou seria torcida?!) repetida pela maioria dos especialistas locais até este final de semana dava conta de que o Xavante estava "vivo na divisão de acesso" depois de algumas vitórias consecutivas. Mesmo que para seguir adiante precise vencer todas e torcer por resultados paralelos. Impossível? Não, mas convenhamos que é bem difícil.

Por outro lado, bastou que o Fantasma deixasse a zona de classificação ao quadrangular final por uma única rodada para os mesmos especialistas avaliarem que a situação havia ficado "complicada, muito difícil" para o time. Tão complicada era a situação que a vitória do final de semana sobre o Santo Ângelo recolocou o clube entre os que estariam na fase final do acesso. Quão improvável, né?!

É mais ou menos assim que funciona a cobertura de esporte (futebol, que parece ser o único esporte conhecido na cidade) no rádio, na TV, nos jornais e nos sites de Pelotas. Como acontece em tantas outras áreas da sociedade local, o reconhecimento na maioria das vezes é dado a quem parece grande coisa. Mas, como todo mundo sabe, nem tudo que parece é.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Tá morto quem só peleia!

Marcação, garra e pegada ganham jogos, sim. Mas não ganham campeonatos!

Essa é uma lição que o Grêmio está demorando a (re)aprender. Prova disso é que se você parar para pensar no último jogador a vestir a camisa tricolor capaz de mudar o jogo à base da habilidade individual, vai custar um pouco a recordar. E, se achar, o sujeito estará escondido num canto escuro da memória, soterrado por dezenas de zagueiros botinudos, volantes durões e centroavantes trombadores.

Peguemos o último grande título gremista, a Copa do Brasil de 2001. Naquele grupo organizado pelo técnico Tite havia uma defesa comandada com a categoria e segurança de Mauro Galvão, um meio com a juventude e eficiência de Tinga somada à experiência e técnica de Zinho, em grande fase. No ataque, Marcelinho Paraíba no seu auge. Nenhum super craque, mas quatro jogadores acima do comum e, naquele momento de suas carreiras, decisivos.

De lá para cá, poucos elencos montados pelo Grêmio tiveram jogadores acima da média (ou do medíocre). E, quando havia um desses, era solitário no time. A exceção, talvez, seja o time vice-campeão da Libertadores de 2007, com Carlos Eduardo (foto) no ataque e Diego Souza no meio. E mesmo assim, apenas o atacante que surgia como revelação tinha relativa capacidade de quebrar uma defesa a partir de uma jogada individual.

É evidente que um time não pode abrir mão de contar com jogadores de pegada e obediência tática. Todos os grupos vencedores do Grêmio tiveram atletas com estas características. Mas não ganharam por causa deles. Ganharam com eles no time, o que é diferente.

Por mais que os carregadores de piano sejam importantes na maioria dos jogos, em algum momento é preciso alguém que surpreenda, capaz do drible e do passe diferenciado. Assim o Santos venceu a Libertadores. Com um time comum, mas com um jogador - Neymar - capaz de confundir qualquer tática adversária. Evidente que nem todo time pode ter alguém com a habilidade de Neymar, porém nem todo time pode chegar a conquistas amparado em um exército de jogadores ruins ou medianos.

Só põe faixa no peito quem faz a diferença na hora decisiva. Tá morto quem só peleia!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Jogou até o... fazer bico!



Já vi muitos jogadores darem sangue pelo seu time, mas não dessa forma, digamos, constrangedora.

Ontem, durante jogo válido pela 36ª rodada da segunda divisão argentina, o volante do River Plate Leonardo Ponzio passou boa parte do tempo desse jeito aí que a foto mostra, com o calção ensanguentado. E foram três trocas de calção - a pedido do árbitro - para tentar resolver o problema, sem sucesso.

Hoje, em entrevista à imprensa argentina, Ponzio explicou o motivo do sangramento: hemorróidas. Segundo ele, o stress da partida pode ter sido o motivo para que ele sentisse "algo quente" entre as pernas.

Profissional ao extremo, o volante foi elogiado pelo técnico Matias Almeyda por ficar em campo e ajudar o River a vencer o Boca Unido por 2 a 1 no Monumental de Nuñez, resultado que pode garantir o retorno do time à elite já na próxima rodada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Caso Oscar: Na briga entre Inter e São Paulo, imprensa puxou brasa

Foi uma história que, se fosse ser detalhada, não teria como contar em uma daquelas “Histórias Curtas” que passam na TV. O embate envolvendo o meia Oscar, o São Paulo e o Internacional se estendeu por quase dois anos – ou exatos 714 dias – desde a apresentação do jogador em Porto Alegre.

Durante todo esse tempo, o clube paulista ameaçou o atleta, que bateu no Tricolor, que revidou no Colorado, que reagiu contra os paulistas, que exigiu grana dos gaúchos, que fincaram pé negando. E nesse ritmo a rusga se (des)enrolou durante todo esse tempo, rendendo ações e declarações desastradas de todos os lados, um prato cheio para os jornais e sites gaúchos e paulistas.

Agora, com o final da disputa por Oscar, tanto Inter quanto São Paulo tentam, via meios de comunicação, provar aos seus torcedores que saíram vencedores da batalha. Embora nenhuma das diretorias tenha conseguido exatamente aquilo que alardeou durante todos os 714 dias de imbróglio, uma coisa é inegável: se houve alguém que chegou mais próximo do objetivo, foi o São Paulo.

Sempre muito “respeitosa” com os dois grandes times do Estado, a imprensa gaúcha não pensa assim. Tanto que tem evitado falar sobre algo perceptível a quem analisa o histórico do confronto: o Internacional cantou de galo durante quase todo o tempo durante a confusão dizendo que não pagaria multa ao São Paulo para ter Oscar, mas no fim das contas precisou baixar a crista e bancar R$ 15 milhões para contar com o meia no seu elenco.

E que multa seria essa? Para quem não acompanhou o enredo desde os primeiros capítulos, um breve resumo. Nem tão breve, afinal a confusão foi longa.

Dono do próprio nariz
Em 18 dezembro de 2009, então com 18 anos, Oscar conquista liminar na Justiça o tornando dono dos próprios direitos federativos, após entrar com processo contra o São Paulo por ter sido supostamente induzido a emancipar-se e, aos 16 anos, assinar contrato profissional de três anos de duração com o clube, conduta considerada irregular pela Fifa. O jogador também alega atraso no pagamento de salários e FGTS desde setembro de 2008. Uma semana depois, portanto ainda em dezembro de 2009, a liminar é cassada e os direitos sobre o jogador são devolvidos ao São Paulo.

Meses depois, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo decide a favor de Oscar, liberando-o do contrato que tinha com o clube do Morumbi. Assim, em 17 de Junho de 2010 o Internacional apresenta Oscar (foto) como seu novo atleta pelos próximos cinco anos. Ainda em adaptação, o meia é incorporado à equipe sub-23 para ser observado e ganhar experiência, até que passa a ser um dos destaques e se credencia a vaga no grupo principal em Novembro de 2010.

Com a nova joia sob holofotes, aumenta a preocupação da diretoria colorada com as ações do São Paulo para recuperar seu (ex?) jogador.

Preocupação que se torna ainda maior no início de Fevereiro de 2012. Amparado por nova decisão do TRT-SP, o São Paulo recupera os direitos sobre Oscar e encaminha ofício à CBF e Conmebol pedindo inscrição do jogador como atleta do clube, impedindo-o de atuar pelo Inter. O pedido é atendido no dia 21 de Março e o nome do meia aparece no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF vinculado ao tricolor paulista, barrando a participação no time colorado que enfrentaria o The Strongest naquela noite pela Libertadores.

R$ 15 milhões ou o jogador de volta
23 de Março de 2012. Pela primeira vez até então, é veiculado o pedido do São Paulo de R$ 15 milhões para que o Internacional fique com os direitos federativos sobre Oscar. O valor, de acordo com advogados e dirigentes paulistas, seria referente à multa por rescisão contratual unilateral por parte do jogador. A diretoria gaúcha contesta e afirma que estaria disposta a pagar, no máximo, R$ 6,9 milhões, uma vez que já teria adquirido anteriormente 50% dos direitos econômicos do atleta – embora uma coisa não tenha a ver com a outra, já que direitos econômicos e federativos não possuem ligação.

Notando a situação cada vez mais complicada, no final de Março o Internacional pede ao TRT-SP para ser incluído no processo como “terceiro interessado” no caso. Até então o clube gaúcho vinha fora do imbróglio, com a disputa sendo travada, ao menos oficialmente, apenas entre Oscar e São Paulo.

Tem início, então, o confronto verbal entre os presidentes dos clubes, que “jogam para a torcida” através de declarações de efeito.

“Oscar tem carteira assinada com o Inter e contrato por mais quatro anos e meio. Ele é jogador do Internacional”, afirma Giovanni Luigi, garantindo que os cofres colorados não precisarão ser abertos para o meia continuar no elenco.









Do outro lado, Juvenal Juvêncio dispara que só libera a promessa de craque se forem depositados R$ 17 milhões na conta do São Paulo. Os R$ 2 milhões a mais com relação ao pedido anterior seriam devido à valorização de Oscar, que já teria sido sondado por equipes europeias.

Enquanto os cartolas se digladiam via imprensa, os advogados negociam. Representantes do Inter apresentam proposta de R$ 7 milhões, prontamente descartada pelos gabinetes do Morumbi.

Ameaças tricolores e reação de Oscar
Desconfortável com o ritmo das negociações, o jogador fala pela primeira vez sobre o assunto em entrevista ao SporTV em 16 de Abril. Há quase um mês apenas treinando no Beira Rio, o jogador acusa o ex-dirigente do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, de ameaça-lo quando da entrada na Justiça contra o clube. 

“Na época em que eu entrei na Justiça o Marco Aurélio disse que eu sofreria graves consequências. Disse que eu encerraria a minha carreira. Não é natural um dirigente ameaçar jogador”, disse Oscar.

Cunha (foto) se defende dizendo que “fez papel de educador”, prevendo o que poderia acontecer a Oscar a partir do processo.

Pouco mais de uma semana após a entrevista, o Tribunal Superior do Trabalho concede habeas corpus a Oscar, o que dá ao jogador o direito de escolher onde atuar. Em 7 de Maio, 47 dias depois de ser impedido de jogar, o meia volta a campo com o Inter contra o Caxias no primeiro jogo da final do Gauchão e chora após fazer o gol do empate por 1 a 1. Na mesma semana, a diretoria colorada admite ampliar a oferta ao São Paulo de R$ 7 milhões para R$ 10 milhões. Os paulistas novamente rechaçam.

Convocação e fim de novela
Convocado pelo técnico Mano Menezes para integrar o grupo da seleção brasileira que disputaria quatro amistosos na Europa e Estados Unidos entre o final de Maio e o começo de Junho, Oscar se valoriza e representantes colorados mais uma vez ampliam oferta ao São Paulo. Pouco depois de entrar em campo como titular da camisa 10 da seleção contra a Dinamarca, o meia é adquirido pelo Inter por R$ 15 milhões, valor estipulado desde o começo das negociações para a rescisão do contrato.

Tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre as manchetes exaltam o fim da batalha entre os clubes. Porém, sob diferentes óticas. No Sudeste o destaque é o valor embolsado pelo tricolor do Morumbi. A Folha Online diz que “o São Paulo negociou o meia Oscar com o Internacional por R$ 15 milhões, na maior transação interna de um jogador no Brasil”. Já no Sul o foco é para o acordo de pagamento parcelado, com divisão entre o clube gaúcho e o empresário do jogador.





“Pelo lado colorado, além da presença do presidente Giovanni Luigi e de Fernandão nas negociações, o processo foi liderado pelos advogados Daniel Cravo e Rogério Pastl”, diz o texto publicado na página online de esportes de Zero Hora, destacando os dirigentes e advogados.






Em ambos os casos, seja em São Paulo ou em Porto Alegre, embora sejam assinadas por repórteres dos dois jornais, as notícias parecem releases de assessoria. Cada uma puxa para um lado.

Se Oscar custou caro – a maior transação entre dois clubes brasileiros – ou barato – poderá valer o dobro em alguns meses – é uma questão de ponto de vista (e de paixão clubística, para alguns). Porém, não se justifica que as notícias deixem na penumbra algumas informações de acordo com a região de origem de cada veículo. Em São Paulo o leitor é induzido a considerar o time paulista como “vencedor”, recebendo aquilo que pedia pelo seu atleta para quebrar o contrato. A confusão sobre a intransigência do clube quanto aos direitos trabalhistas fica em segundo plano. Já no Rio Grande do Sul o clima parece ser de “triunfo” por tirar um atleta do Morumbi mesmo contra a vontade do São Paulo.

Ou seja, nesse embate entre Internacional e São Paulo, ao invés de simplesmente contar a história, sem proteção de interesses clubísticos, boa parte da imprensa que cobriu o caso resolveu participar do enredo como coadjuvante. Tal qual um daqueles personagens de filmes e novelas que ficam estimulando a rivalidade entre os protagonistas, os veículos alimentaram uma animosidade desnecessária entre torcedores passionais, que despejaram declarações de ódio ao time rival na disputa por Oscar.

E no final, o óbvio: o jogador vai trabalhar onde quer e seu antigo empregador receberá o que lhe cabe como direito. Seria simples, se não complicassem.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Itaú 1 x 0 Fifa

Hoje a Fifa anunciou - e a imprensa divulgou com estardalhaço (Globo, na verdade) - o slogan da Copa de 2014 no Brasil. "Juntos num só ritmo". Não chega a ser horroroso, mas também passa longe de empolgar.

Pra ser sincero, é um baita de um clichê! A justificativa é que a frase sintetiza a alegria e a musicalidade do país e blablabla. Aquela historinha de sempre que os gringos usam quando querem fazer um elogio ao Brasil. "Samba, carnaval, caipirinha..."

Se eu tivesse que escolher o slogan para a Copa no Brasil, sem dúvidas ficaria com o da campanha do Itaú. "Vamos jogar bola" dá de relho nessa frase mixuruca da Fifa.


O criador do slogan do banco deveria ficar ainda mais orgulhoso da sua frase e do vídeo de promoção, bem melhores que as obras oficiais de divulgação da Copa a partir de agora, que algum sabichão deve ter faturado uma boa grana pra criar.

Mas, convenhamos, se é pra complementar aquele logotipo meia-boca da Copa, não dava pra esperar coisa muito boa, né?


** Em tempo: A dona Fifa é tão bizarra que não permite incorporar o vídeo com que apresenta o slogan da Copa. E não postei uma cópia dele porque todas as que estava disponíveis no YouTube até então são muito ruins.


** Em tempo 2: Zero Hora desta quinta (dia 31), em sua coluna 'Informe Econômico', aponta a agência paulista Aktuell como a responsável pelo slogan da Copa.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Olho maior que a barriga

A razão de ser de um clube de futebol é a sua torcida. Sinto-me um idiota começando um texto com uma afirmação que parece tão óbvia. Mas uma coisa me consola: está cheio de gente mais idiota circulando por aí. Gente que tem o olho maior que a barriga e parece não raciocinar.

O que quero dizer com isso é o seguinte: muitos cartolas de futebol só pensam em engordar o caixa de seus clubes. E para isso tratam de empurrar a conta pra cima do cara que gosta de assistir um jogo, especialmente o torcedor mais fanático. Esse que se dane! Seria uma barbada listar vários exemplos de clubes que agem assim, mas vou citar apenas um para ilustrar.

Geremias Orlandi / SER Caxias
Repare nos espaços na arquibancada ao fundo. Retornando a uma final de Gauchão 12 anos depois, o Centenário deveria estar lotado. Mas não é qualquer bolso que suporta um desfalque de 60 pilas...








O Caxias está tendo a rara chance de disputar uma final de Gauchão, contra o Internacional. Com elenco mais fraco e jogando a primeira partida em casa, o sonho do título se tornaria mais palpável se o clube fosse para Porto Alegre com uma vitória na bagagem. E para isso, lotar o Centenário com 30 mil pessoas (capacidade segundo o site do clube) gritando a favor do Caxias e pressionando o Inter seria o ideal. Mas aí entra o olho maior que a barriga. A diretoria cobrou R$ 60 o ingresso mais barato para o jogo.

Graças a isso (60 contos!) havia exatamente 12.042 pessoas e a renda foi de R$ 481.780 - o que dá cerca de 8 mil pagantes a R$ 60. Suponhamos que, cobrando pouco menos da metade desse assalto (uns R$ 25, por exemplo), o estádio lotasse com 25 mil pagantes e 5 mil não pagantes. A renda seria de R$ 625 mil, ou seja, R$ 143.220 ou 30% a mais no cofre grená.

Embora eu seja o mesmo idiota que começou o texto dizendo uma obviedade, arrisco-me a dizer outra: parece mais vantajoso cobrar um valor mais baixo pelos ingressos e contar com um estádio lotado empurrando o time (e engordando a conta) a ter meia dúzia de gatos pingados pagando os olhos da cara.

Devo ser um ingênuo mesmo e não entendo destas gestões modernas. Foi-se o tempo em que o objetivo dos clubes era atrair público aos seus campos e formar novos torcedores, seduzidos pela atmosfera do estádio lotado. A lógica (burra) atual é afastar o público com ingressos caros. E azar de quem não gostar. Quem reclama é porque não quer ajudar seu time, não é mesmo?!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

GreNal de fiascos

Antes de qualquer coisa: embora o jogo tenha sido muito ruim, a vitória do Inter no dérbi foi justa e não teve influência de qualquer fator extra-campo. Dito isso, vamos ao resto.

Que fiasco de GreNal! O maior jogo do futebol gaúcho e com uma das maiores rivalidades do país foi um circo. E um circo cheio de vaidades, já que não faltou artista querendo roubar a cena no papel de palhaço.

O primeiro a querer essa vaga não teve muita sorte, já que ninguém mostrou o responsável pelo sal jogado no banco de reservas do Grêmio.

Em compensação, teve outro fiasquento que teve mais sorte. O gandula. Esse conseguiu aparecer bastante tentando favorecer o Inter e foi até homenageado pelos jogadores depois do segundo gol. Correram todos em direção a ele pra dar um abraço. Mas, coitado, mesmo com esse papelão ainda foi coadjuvante.

Agência Estado
O principal palhaço da tarde e responsável por um baita fiasco no GreNal foi o "pofexô" Luxa. Como sempre faz questão, foi o personagem da tarde. Daqui a 15 dias alguém pode esquecer o resultado do jogo e os autores dos gols. Mas o chilique do técnico gremista - gremista não, do Grêmio! - todo mundo vai lembrar. Atrasou a entrada do time em campo, colocou 18 jogadores no gramado, fez alguns assinarem a súmula na última hora, escalou mal e - para completar - deu ataque com o tal gandula coadjuvante e com o juiz.

Aliás, que juiz bem frouxo! Todo mundo deitou na cabeça dele a partida inteira. Os técnicos, o zagueiro gremista Werley e, principalmente, o volante colorado Guiñazu. Esse passou o jogo inteiro atropelando os adversários e mijando o juiz. E ficou em campo até o final.

E pra fechar, todo esse circo ainda teve pouco público. Um clássico de Gauchão, decisivo, valendo vaga na final, com só 18 mil pessoas? Tudo bem que o Beira Rio está em obras, mas cabe mais gente do que isso.

Não sei vocês, mas achei uma fiasqueira o GreNal que decidiu a Taça Farroupilha.

domingo, 29 de abril de 2012

Será que foi uma boa troca no Brasil?

É obrigatório se fazer justiça a quem comanda o Brasil (o time, de Pelotas). Se a intenção era promover uma mudança, teve sucesso a demissão de Luizinho Vieira para a contratação de Marcelo Rospide.

O time, líder do seu grupo na Série A2 do Gauchão quando o técnico anterior foi mandado embora, agora é o terceiro colocado. Somou apenas um ponto nos dois jogos com novo treinador - empate por 3 a 3 em casa na quinta-feira contra o Riopardense e derrota hoje por 2 a 0 fora contra o Riograndense.

Mudou, não mudou?

Aliás, antes que algum mala resolva dizer que só falo mal da mudança de técnico do Brasil, há que se registrar que o novo comandante tem ao menos uma "vantagem" sobre o anterior. Durante os treinamentos coletivos, Rospide para a todo tempo o trabalho para corrigir falhas, especialmente o posicionamento dos jogadores. Coisa que raramente ocorria com Luizinho Vieira, mais adepto ao estilo "larga a bola e deixa jogar".

Mesmo assim, até agora o resultado prático da troca foi a perda de posições no grupo. Será que o método Rospide vai funcionar melhor nas próximas rodadas e recolocar o Xavante na ponta da tabela?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Copa Ubarrarrá!

Não sei se todo mundo já ouviu essa expressão, mas lá pros lados de Pinheiro Machado e demais cidades da região da Campanha, costuma-se usar o "ubarrarrá!" - assim mesmo, exclamativo - quando alguma coisa é feita sem pensar, aos trancos e barrancos. A Libertadores, de forma geral, é mais ou menos assim, feita e jogada no ubarrarrá.

A promoção do torneio é amadorística demais. Não precisa tão cheia de frescuras quanto uma Champions League, mas um pouco de capricho e organização não fariam mal à principal competição de clubes do continente americano. Só que isso é história pra outro texto.

O que importa agora é o jeito que os times jogam a Libertadores. Tá cheio de teórico do futebol explicando que o Fulano joga no 4-2-3-1, ou no 4-4-2 com "wingers" e o cacete. Mas de quê adianta tudo isso se, no final das contas, o que se vê na maioria dos jogos é a tática do ubarrarrá?!

O jogo do Inter contra o Fluminense ontem é exemplar. Se aguarda tanto tempo pra ver um confronto entre o time de melhor campanha do torneio contra aquele que todos dizem ter um dos melhores elencos do Brasil para, com a bola em jogo, se assistir a um festival de bicos na direção dos centroavantes. Parece que ninguém treina junto, é tudo aos trambolhões. Trombada, chutão, falta. Não deve em nada a um jogo entre Farroupilha e Bagé numa tarde nublada de inverno no Nicolau Fico. Coisa para os fortes - e pacientes!

Esse é o nível da Libertadores. E não quero aqui que vire um futebol fresco, tipo espanhol, onde o zagueiro fica assistindo o adversário jogar e quase pede desculpas quando precisa colocar uma bola pra fora. Não é assim! Mas, alamierda!, também não precisa torrar a paciência de torcedores e espectadores judiando da bola o tempo todo. Aí vira só Ubarrarrá!

É brabo isso daí, tchê!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Barcelona fora da final, vitória do futebol

Nesse momento deve ter muita viúva do Barcelona se rasgando de raiva e louca pra morder qualquer um que diga que a classificação do Chelsea para a final da Champions League foi merecida. Pois que se escabelem!

A eliminação do melhor time do mundo em pleno Camp Nou lotado é uma maravilha para o futebol. Isso porque os únicos capazes de se deleitar com a invencibilidade de um time são os próprios torcedores dele. Ora, se o clube que eu torço ganhasse sempre eu acharia uma maravilha. Mas daí a graça do jogo se perderia.

                               AFP/Getty Images
AFP/Getty Images

Ver o Chelsea jogando com a alma é muito mais divertido e emocionante do que assistir o futebol cheio de salamaleques do Barcelona. Atenção, não falo em beleza, viúvas! Que é mais bonito ver um monte de craques tabelando e dando chapéu, não há dúvidas. Só que, por sorte, beleza não põe taça no armário. Ver o time catalão jogando, em geral, tem a mesma emoção que assistir um filme sabendo o final. Porém, desta vez o "mocinho" morreu no final!

Prefiro um time que se fecha sem vergonha da sua inferioridade e atraca bicão para todo lado se isso for valer uma taça do que um time de virtuosos que joga qualquer decisão com a mesma vibração de um show do Lenine!

O Chelsea pode até perder a final da Champions, mas já cumpriu sua missão. Para o bem do futebol que todos gostamos - ou pelo menos aqueles que não seguem a modinha - o invencível Barcelona foi eliminado e teremos um baita jogo na final.

Chorem, viúvas!

Marcelo rospide no Xavante

Quanto critério! Quanta ética! Quanto profissionalismo!

O Brasil, menos de 24 horas após perder para o Guarani-VA por 2 a 1 no Bento Freitas, mandou embora o seu treinador (Luizinho Vieira) e foi buscar Marcelo Rospide. Justamento o técnico do Guarani.

Agência Estado
Difícil entender um critério desses, já que tira da casamata o profissional que mantinha o clube na liderança da Chave 1 da Série A2 do Gauchão, para colocar em seu lugar o professor que estava no lanterna do mesmo grupo e que das cinco partidas que dirigiu venceu apenas uma, perdendo duas e empatando outras duas.

Aliás, tanto o Brasil quanto Rospide foram bastante éticos nessa história toda, não? O Xavante, ao invés de buscar alguém no mercado para assumir o time, vai em cima de um profissional empregado em um adversário na competição. Já o técnico deixa o Guarani exatamente 21 dias após ser contratado.

O comportamento do Brasil, indo atrás de um técnico empregado, e o do técnico, que abandona um trabalho no meio do caminho, mostram uma das caras do futebol no Brasil.

Depois ficam enchendo o ouvido dos torcedores com um papinho de "projeto" e "continuidade". E tem um monte de trouxas que embarca nessa!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Brasil demite técnico: bagunça contínua

O Brasil de Pelotas acabou de anunciar a demissão do técnico Luizinho Vieira.

Apesar de nunca ter feito o time atuar bem o suficiente para agradar a torcida - quem conseguiu isso recentemente? - com Luizinho o time era líder da sua chave na Série A2 do Gauchão.

O mais ridículo é que a nota oficial publicada no site põe como motivo principal da queda a atuação no último jogo, quando perdeu em casa para o Guarani-VA.

Alguém ainda não entendeu o motivo do Xavante estar patinando na Segundona há anos?!

Uma imagem


Eduardo Knapp / Folhapress
Se deitando nas falhas do goleiro Julio César que ajudaram a eliminar o Corinthians nas quartas-de-final do Campeonato Paulista (perdeu por 3 a 2 para a Ponte Preta ontem), a Folha de São Paulo traz essa foto ao lado na capa de hoje.

É uma baita sacanagem com o mãos-de-alface corintiano, mas a foto é boa!

domingo, 22 de abril de 2012

Futebol sem frescura

Não sei vocês que por acaso caíram aqui nessa página, mas eu cada vez tenho lido menos sites sobre esporte e os cadernos dos jornais. E não é porque não goste. É que o troço tá chato mesmo!

É sempre a mesma fórmula: uma introduçãozinha ao assunto metida a besta, alguns dados pouco relevantes e citações dos personagens pinçadas das empolgantes entrevistas coletivas. Quase sempre é isso.

Como acredito que o jornalismo esportivo pode - ou talvez deva - ser diferente do resto, vou escrever por aqui sobre futebol sem essa burocracia. Sempre tentando sair do lugar-comum.

Já tô de saco cheio desse jornalismo do "querer-dizer-mas-não-falar", onde se usa uma matéria para insinuar, sem nunca se comprometer com sua análise ou informação.

Se é pra tirar o tempo do leitor, então que seja às claras, sem frescura!


OBS.: Não te assusta com a cara feia atual do blog. Tende a piorar! Nos próximos dias vou fazer uns ajustes nesse negócio...