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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Hora de Luxemburgo crescer em decisões

Descontemos toda a emocionante festa antes do jogo, o choro e as homenagens que se seguiram após o apito final de Héber Roberto Lopes. O que fica da despedida do Estádio Olímpico Monumental é a frustração de ver o Grêmio, mais uma vez, não superar uma equipe inferior – sem qualquer corneta, as atuações anteriores e a posição na tabela confirmam isso. E dessa vez com o adversário tendo dois jogadores a menos. Novamente o time bateu na trave na hora de alcançar um dos objetivos traçados. Escaparam a vice-liderança do Brasileirão e a vaga direta à fase de grupos da próxima Libertadores.

O Grêmio de 2012, com o até então inimaginável comando de Vanderlei Luxemburgo, foi assim. Quando mais precisou vencer, quando sentiu mais intensamente o cheiro do sucesso, falhou. E o mais impressionante: não foi determinante para as frustrações deste ano o peso da camisa adversária. O time escorregou contra pequenos, médios e grandes, inclusive quando do outro lado estavam esquadras que hoje figuram entre as rebaixadas do Brasileirão. Vejamos o retrospecto do Grêmio de Luxemburgo nos jogos mais importantes do ano:

Fotos: Ag. Estado / Luis Acosta (AFP)
Contra Palmeiras e Millonários, nem a pressão do velho Olímpico
fez com que o Grêmio de Luxemburgo confirmasse o favoritismo.

1) No Gauchão, perdeu nos pênaltis para o Caxias (time de Série C do Brasileirão) na semifinal do primeiro turno e viu o Inter levantar a taça do segundo em pleno Olímpico;

2) Na Copa do Brasil foi eliminado pelo Palmeiras de Felipão, perdendo a primeira partida em casa por 2 a 0 nos minutos finais. O mesmo Palmeiras que seria campeão do torneio (com as calças na mão) e terminaria o Brasileirão rebaixado;

3) Pela Sul-Americana, o mesmo filme. Enfrentou o mediano Millonários e caiu nas quartas-de-final tomando 3 a 1 na Colômbia, de virada, após ter vencido no Olímpico por placar mínimo, chorado;

4) E agora, na última rodada do Brasileirão, despedida do Olímpico, não conseguiu marcar gols contra um Internacional com nove jogadores em campo desde os 13 minutos do segundo tempo. Não era mata-mata, mas valia vaga direta na Libertadores. Logo, tendo toda a atmosfera de decisão, nova falha.

O que isso significa? Que o Grêmio que deixa o Olímpico não deve pôr abaixo somente o concreto do seu velho estádio. Precisa soterrar junto o medo dos grandes jogos, comum nestes últimos anos do clube e amplificado com Luxemburgo na casamata. Sempre que se vê diante de decisões, o treinador opta por um time recuado, diferente do que encarrilha vitórias nas partidas comuns.

Se Luxemburgo não rever essa falha que se repetiu durante grande parte da sua carreira e que em 2012 tirou do Grêmio a possibilidade de títulos, a Arena recém construída será palco novos confrontos em que o time jogará como nunca e perderá como sempre.

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