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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Incompetência assumida

A briga ocorrida no setor da Geral no sábado da inauguração da Arena do Grêmio só confirma duas coisas: a incompetência da Brigada Militar e da Justiça ao punir os brigões e que essa história de vigilância com câmeras para impedir a entrada dos marginais é história pra boi dormir.

Não é assim? Então como explicar a declaração do próprio comandante do 1º Batalhão de Operações Especiais da BM, publicada na coluna de Hiltor Mombach na edição desta segunda (dia 10) no Correio do Povo?

Reprodução Correio do Povo

Se são "antigos clientes", já identificados pela Brigada e - espera-se - pelo Grêmio através das tais câmeras presentes antes no Olímpico e agora na Arena, o certo seria que ficassem bem longe dos estádios em dias de jogos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Hora de Luxemburgo crescer em decisões

Descontemos toda a emocionante festa antes do jogo, o choro e as homenagens que se seguiram após o apito final de Héber Roberto Lopes. O que fica da despedida do Estádio Olímpico Monumental é a frustração de ver o Grêmio, mais uma vez, não superar uma equipe inferior – sem qualquer corneta, as atuações anteriores e a posição na tabela confirmam isso. E dessa vez com o adversário tendo dois jogadores a menos. Novamente o time bateu na trave na hora de alcançar um dos objetivos traçados. Escaparam a vice-liderança do Brasileirão e a vaga direta à fase de grupos da próxima Libertadores.

O Grêmio de 2012, com o até então inimaginável comando de Vanderlei Luxemburgo, foi assim. Quando mais precisou vencer, quando sentiu mais intensamente o cheiro do sucesso, falhou. E o mais impressionante: não foi determinante para as frustrações deste ano o peso da camisa adversária. O time escorregou contra pequenos, médios e grandes, inclusive quando do outro lado estavam esquadras que hoje figuram entre as rebaixadas do Brasileirão. Vejamos o retrospecto do Grêmio de Luxemburgo nos jogos mais importantes do ano:

Fotos: Ag. Estado / Luis Acosta (AFP)
Contra Palmeiras e Millonários, nem a pressão do velho Olímpico
fez com que o Grêmio de Luxemburgo confirmasse o favoritismo.

1) No Gauchão, perdeu nos pênaltis para o Caxias (time de Série C do Brasileirão) na semifinal do primeiro turno e viu o Inter levantar a taça do segundo em pleno Olímpico;

2) Na Copa do Brasil foi eliminado pelo Palmeiras de Felipão, perdendo a primeira partida em casa por 2 a 0 nos minutos finais. O mesmo Palmeiras que seria campeão do torneio (com as calças na mão) e terminaria o Brasileirão rebaixado;

3) Pela Sul-Americana, o mesmo filme. Enfrentou o mediano Millonários e caiu nas quartas-de-final tomando 3 a 1 na Colômbia, de virada, após ter vencido no Olímpico por placar mínimo, chorado;

4) E agora, na última rodada do Brasileirão, despedida do Olímpico, não conseguiu marcar gols contra um Internacional com nove jogadores em campo desde os 13 minutos do segundo tempo. Não era mata-mata, mas valia vaga direta na Libertadores. Logo, tendo toda a atmosfera de decisão, nova falha.

O que isso significa? Que o Grêmio que deixa o Olímpico não deve pôr abaixo somente o concreto do seu velho estádio. Precisa soterrar junto o medo dos grandes jogos, comum nestes últimos anos do clube e amplificado com Luxemburgo na casamata. Sempre que se vê diante de decisões, o treinador opta por um time recuado, diferente do que encarrilha vitórias nas partidas comuns.

Se Luxemburgo não rever essa falha que se repetiu durante grande parte da sua carreira e que em 2012 tirou do Grêmio a possibilidade de títulos, a Arena recém construída será palco novos confrontos em que o time jogará como nunca e perderá como sempre.