Páginas

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Tá morto quem só peleia!

Marcação, garra e pegada ganham jogos, sim. Mas não ganham campeonatos!

Essa é uma lição que o Grêmio está demorando a (re)aprender. Prova disso é que se você parar para pensar no último jogador a vestir a camisa tricolor capaz de mudar o jogo à base da habilidade individual, vai custar um pouco a recordar. E, se achar, o sujeito estará escondido num canto escuro da memória, soterrado por dezenas de zagueiros botinudos, volantes durões e centroavantes trombadores.

Peguemos o último grande título gremista, a Copa do Brasil de 2001. Naquele grupo organizado pelo técnico Tite havia uma defesa comandada com a categoria e segurança de Mauro Galvão, um meio com a juventude e eficiência de Tinga somada à experiência e técnica de Zinho, em grande fase. No ataque, Marcelinho Paraíba no seu auge. Nenhum super craque, mas quatro jogadores acima do comum e, naquele momento de suas carreiras, decisivos.

De lá para cá, poucos elencos montados pelo Grêmio tiveram jogadores acima da média (ou do medíocre). E, quando havia um desses, era solitário no time. A exceção, talvez, seja o time vice-campeão da Libertadores de 2007, com Carlos Eduardo (foto) no ataque e Diego Souza no meio. E mesmo assim, apenas o atacante que surgia como revelação tinha relativa capacidade de quebrar uma defesa a partir de uma jogada individual.

É evidente que um time não pode abrir mão de contar com jogadores de pegada e obediência tática. Todos os grupos vencedores do Grêmio tiveram atletas com estas características. Mas não ganharam por causa deles. Ganharam com eles no time, o que é diferente.

Por mais que os carregadores de piano sejam importantes na maioria dos jogos, em algum momento é preciso alguém que surpreenda, capaz do drible e do passe diferenciado. Assim o Santos venceu a Libertadores. Com um time comum, mas com um jogador - Neymar - capaz de confundir qualquer tática adversária. Evidente que nem todo time pode ter alguém com a habilidade de Neymar, porém nem todo time pode chegar a conquistas amparado em um exército de jogadores ruins ou medianos.

Só põe faixa no peito quem faz a diferença na hora decisiva. Tá morto quem só peleia!

Nenhum comentário:

Postar um comentário